NRP "COMANDANTE JOÃO BELO"
Relato 1: - Convívio da tripulação com a comunidade portuguesa.
Durante o repasto, com o dialogo mais animado, lá íamos sabendo o que cada um fazia na Austrália, (Sydney e outras cidades costeiras). Na maioria eram empresários na área piscatória, com frotas de barcos de pesca e outros na comercialização do produto pescado.
Terminado o convívio, os nossos amigos seguiram a sua vida e nós planeamos a nossa saída nocturna.
Devido à amizade criada no convívio, alguns companheiros com mais sorte, quando saímos para terra, já tinham no cais viaturas à sua espera, próximo do navio.
No dia seguinte, o Oficial de dia, notou que a guarnição estava incompleta! Dois dos nossos camaradas não regressaram. O Mar. Clarim e um Grumete Manobra.
Como não apareceram até à hora da saída do navio, o Comandante resolveu adiar por duas horas a saída, na esperança que aparecessem. Como isso não aconteceu, foram considerados desertores, e o nosso Comandante deu conhecimento do assunto às autoridades locais.
Zarpámos de Sydney, em 01/05/1970, rumo a Brisbane (Austrália), onde atracamos em 03/05/70.
Relato 2: - Onde se mencionam as deserções.
Em 01/05/1970, zarpou de Sydney, com destino a BRISBANE, onde permaneceu até 08/05/1970. Aqui, também tivemos convívios com a Comunidade Potuguesa local, mas em menor numero, em relação a Sydney.
Neste porto, mais oito camaradas decidiram desertar, procurando uma vida melhor! Não se apresentaram a bordo, o Mar. C Nicolau, Mar. C Manuel Martins Nobre, Gmt. A ? (veio da NRP Alvares Cabral), Gmt E Nuno António Faustino Pereira, Gmt L Pedro Amorim Gonçalves Pinto, Gmt M Álvaro da Silva Costa ( O Boticas), Gmt A Telmo e o Gmt L Oliveira.
O caso de deserção com mais relevo, foi a de um camarada, que estava na escala de serviço no dia da fuga, e como não podia sair, decidiu, durante a noite, prender um cabo num dos balaustres da proa, por onde desceu, deixando no convés a farda militar. Constou-se e penso que foi verdade, que transportou a roupa civil, dentro de um saco de plástico, segurando-o com os dentes, para nadar, até alcançar umas escadas encastoadas na parede do cais.
No total foram dez as deserções. Consta que um dos desertores, o Gmt L Oliveira, foi apanhado pelas autoridades australianas e recambiado para Portugal. Quando a Fragata chegou a Lisboa, em 07/12/1970, lá estava o nosso companheiro de armas, à espera da Fragata para dar as boas vindas à Guarnição!!!
António da Silva Martins, Mar. Radarista nº 1330/66.